terça-feira, 18 de julho de 2017

Unity Valkyrie - a inglesa que se oferecia em orgias nazistas



A história de Unity Valkyrie Freeman Mitford não tem final feliz, como tantas outras daqueles dias tenebrosos, em que a humanidade testemunhava amedrontada, a sombra do nazismo a cobrir todo o Velho Mundo. Nascida em 8 de agosto de 1914, no seio de uma importante família londrina, ela cresceu com a Europa ainda sangrando pelas feridas abertas na Primeira Guerra Mundial, e,  por sua própria convicção, começou a admirar a ideologia que irradiava da Alemanha, já inteiramente contaminada pelos delírios imorais do  Terceiro Reich. Contam os biógrafos, que mal chegando na adolescência, Unity dividia o quarto com a irmã Jessica, uma comunista ferrenha. As duas então, traçaram uma linha com giz que delimitava o aposento: um lado era decorado com cartazes de martelos e foices e com fotos de Vladimir Lênin, o outro com suásticas e imagens do líder nazista.


Unity Mitford se tornou uma eloquente porta voz das ideias de Adolf Hitler, e não se tratava de uma voz fraca, sem importância. Ela era irmã de Diana Mitford, amante de Oswald Mosley, líder da União Britânica Fascista e fiel defensor do programa nazista. Unity também era prima de Clementine Hozier, esposa de Winston Churchill.

Em 1933, com apenas 19 anos, a inglesinha viajou para Alemanha como integrante da União Britânica dos Fascistas, nessa viagem, em Nuremberg, ela viu Hitler pela primeira vez. Foi encantamento instantâneo. Em 1934, Unity voltou à Alemanha e se matriculou em uma escola de idiomas em Munique, que ficava próxima à sede do Partido Nazista. Ela estava obcecada em encontrar-se com Hitler. Em 1935, o sonho da moça tornou-se realidade. O encontro com o líder nazista fascinou a jovem. Em uma carta ao seu pai, ela confessou: "Para mim, Hitler é o maior homem de todos os tempos."



O fascínio era recíproco. Hitler sentiu-se atraído pela jovem britânica e com as conexões dela com a cultura germânica, a começar com Valkyrie ( Valquíria ), o nome do meio da moça, uma homenagem à ópera Die Walküre ( As Valquírias ) de Richard Wagner, cujo título alude às deidades nórdicas que conduziam os guerreiros caídos em batalha ao Valhala. O avô de Unity, Algernon Freeman-Mitford, tinha sido amigo de Wagner, um dos ídolos de Hitler, e traduziu as obras de Houston Stewart Chamberlain, outra fonte de inspiração do Füher. Hitler considerava a inglesa como o exemplo perfeito da feminilidade ariana.

Hitler e Unity tornaram-se bem íntimos. O líder nazista usava a inglesinha para provocar ciúmes em Eva Braun, que na época era a mais recente amante do Füher. Eva, sentindo-se ameaçada, tentou o suicídio, recuperando assim a atenção de Hitler. Unity, aprendeu com Eva, que às vezes, medidas desesperadas eram necessárias para atrair a atenção  do seu idolatrado Füher.

Em um livro recente, o autor David Litchfield afirma que Unity se oferecia a oficiais nazistas em orgias embaladas por Horst-Wessel-Lied, o hino nazista.


Unity participou do Festival da Juventude Hitlerista, em Hesselberg, com Julius Streicher, amigo de Hitler, onde ela proferiu um virulento discurso anti-semita, mais tarde, ela confirmou suas convicções em uma carta aberta no jornal de Streicher: "Os ingleses não tem noção do perigo judaico." "Sonhamos com alegria com o dia em que poderemos afirmar: A Inglaterra é dos ingleses! Fora com os judeus! Heil Hitler!" Essas foram algumas das expressões de ódio usadas por Unity na carta, que terminava com o pedido: "Por favor, publiquem meu nome completo, eu quero que todos saibam que eu sou inimiga dos judeus." A carta causou indignação pública na Grã-Bretanha, mas levou Hitler a presentear Unity com um broche de ouro da suástica nazista e um camarote nas Olímpiadas de 1936.

Deste ponto em diante, Unity foi introduzida no círculo íntimo de Hitler e permaneceu nele por cinco anos. Quando Hitler anunciou a Anschluss, Unity estava ao lado dele, em Viena. Um relatório do MI-5 de 1936 considerava a inglesa "mais nazista do que os nazistas" . No mesmo ano, ela havia cumprimentado o cônsul-geral da Grã-Bretanha em Munique com a saudação a Hitler, o cônsul exigiu que o passaporte da compatriota fosse imediatamente apreendido.

Em 1938, Hitler presenteou a inglesinha com um apartamento em Munique. Ela escolheu um imóvel que pertencia a um casal judeu. Conta a história que Unity discutia a nova decoração e as plantas da reforma do imóvel, enquanto seus legítimos donos choravam, na cozinha, a perda do lar.

Muitos nazistas proeminentes desconfiavam de Unity e de sua relação com o seu Füher. Em suas memórias, Dentro do Terceiro Reich, Albert Speer disse do seleto grupo de Hitler: "Um acordo tácito prevalecia. Ninguém devia falar de política. A única exceção foi Lady Mitford. Ela defendia que Hitler fizesse um acordo com a Grã-Bretanha. Apesar das recusas desanimadoras do Füher, ela nunca abandonou essa ideia." Unity era tão obcecada com uma aliança germânico-britânica que chegou a fornecer aos nazistas uma lista de potenciais apoiadores e inimigos dentro da Inglaterra.



Em 1939, durante o Festival de Bayreuth, Hitler advertiu Unity e Diana, que a guerra com a Grã-Bretanha era inevitável e que estouraria dentro de algumas semanas. O ditador alemão às aconselhou que  retornassem para a Inglaterra. Diana voltou, sendo detida e presa assim que pisou em solo inglês. Unity resolveu ficar, apesar dos apelos da família por sua volta. Quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha, Unity ficou mentalmente transtornada. Ela foi para o Jardim Inglês, em Munique, pegou uma pistola de cabo de madrepérola dada a ela por Hitler para proteção, e atirou na própria cabeça. Unity sobreviveu à tentativa de suicídio e foi internada em Munique, onde foi visitada por Hitler, apesar da guerra estar em curso. Ele pagou as contas do hospital e providenciou para que ela voltasse para casa.

Em dezembro de 1939, Unity foi transferida para um hospital em Berna, na neutra Suíça, onde a mãe e a irmã mais nova, Deborah, foram buscá-la. Em uma entrevista de 2002 ao The Guardian, Deborah relata a experiência: "Nós não estávamos preparados para o que encontramos - a pessoa deitada na cama estava desesperadamente doente. Ela havia perdido 13 quilos, era só os olhos enormes. O cabelo estava emaranhado, sem ser penteado desde que a bala entrara em seu crânio. A bala ainda estava em sua cabeça, inoperável, segundo o médico. Ela não podia andar, falava com dificuldade e tinha uma personalidade alterada, como alguém que sofrera um acidente vascular cerebral. Nós a trouxemos de volta para a Inglaterra em um vagão ambulância. Cada solavanco do trem era uma agonia para ela."

Unity chegou à Inglaterra com a mãe e a irmã em janeiro de 1940; em meio a uma avalanche de  interesse da imprensa, ela declarou: "Estou feliz por estar na Inglaterra, mesmo que eu não esteja do seu lado na guerra ." O comentário infeliz levou a um clamor público por sua prisão como traidora. Devido à intervenção do secretário do Interior John Anderson, a pedido do pai de Unity, ela pode viver com a mãe na casa da família em Swinbrook, Oxfordshire. Sob os cuidados do Professor Cairns, neurocirurgião do Hospital Nuffield em Oxford, Unity aprendeu a andar de novo, mas nunca se recuperou totalmente das sequelas da tentativa de suicídio, ela sofria de incontinência e às vezes sua personalidade se tornava infantil.

Em 1948, Unity Mitford morreu de meningite, causada pelo inchaço cerebral em torno da bala alojada em sua cabeça. Suas irmãs, até mesmo as que odiavam a associação de Unity com Hitler, lamentaram profundamente a morte dela. Na lápide dessa valquíria inglesa que amava o Füher nazista, está escrito: "Diga não à luta e nada valerá a pena".

segunda-feira, 29 de maio de 2017

História do Café



Você sabia que o Estado de Minas Gerais é responsável por mais da metade da produção de café do Brasil e 17% da produção mundial?

Minas é bão demais! 

Mas a história do Café no Brasil começou bem distante. Em 1727, o sargento-mor Francisco de Melo Palheta, a pedido do governador do Estado do Grão-Pará, lançou-se numa missão para conseguir mudas de café, produto que já tinha grande valor comercial. Para isso, fez uma viagem à Guiana Francesa e lá se aproximou da esposa do governador da capital Caiena. Conquistada sua confiança, conseguiu dela uma muda de café-arábico, que foi trazida clandestinamente para o Brasil.

Café na Palestina em 1900

Das primeiras plantações na Região Norte, mais especificamente em Belém, as mudas foram usadas para plantios no Maranhão e na Bahia, na Região Nordeste.
As condições climáticas não eram as melhores nessa primeira escolha e, entre 1800 e 1850, tentou-se o cultivo noutras regiões: o desembargador João Alberto Castelo Branco trouxe mudas do Pará para a Região Sudeste e as cultivou no Rio de Janeiro, local onde o sucesso foi total. O negócio do café começou, assim, a desenvolver-se de tal forma que se tornou a mais importante fonte de receitas do Brasil e de divisas externas durante muitas décadas a partir da década de 1850. Em 1860, por exemplo, o Brasil correspondia a 60% da produção mundial de café, e o Rio de Janeiro correspondia a 90% da produção brasileira. O sucesso da produção cafeeira no Rio foi tão grande que derrubou os preços do café no mundo inteiro, popularizando a bebida, até então considerado um artigo de luxo. No final do Império, devido ao esgotamento do solo no sul do Rio de Janeiro (Vale do Paraíba fluminense), a produção cafeeira se deslocou para o norte do Estado do Rio (para os municípios de Itaperuna e Cantagalo) e, especialmente, para São Paulo e para a Zona da Mata mineira. Assim, no início do século XX, a produção paulista e mineira acabam por superar a produção cafeeira do Rio de Janeiro, embora Itaperuna permaneça como o maior produtor de café do Brasil ao longo de toda a 1ª República