sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Vikings descobriram a América 500 anos antes de Colombo



Imagine um cultura que mesclasse o furor e os olhos azuis dos Vikings com o amor pela natureza e o cabelo liso dos indígenas: imaginou? Pois este poderia ser nosso continente caso as colônias nórdicas tivessem logrado sucesso no Canadá. Usando um inovador método com imagens de satélite, arqueólogos encontraram indícios de um antigo acampamento viking na América do Norte, reforçando as evidências de que os escandinavos estiveram no continente 500 anos antes de Cristóvão Colombo. Este é o segundo acampamento nórdico descoberto em terras americanas.

O primeiro acampamento foi descoberto em 1960, na Terra Nova (nordeste do Canadá). Na ocasião, ficou provado que os vikings estiveram na América do Norte continental por volta do ano 1000. Os escandinavos mantiveram uma colônia na Groenlândia entre 1000 e 1500, mas até o século XX não havia evidências confiáveis de que tinham visitado outros locais.



O trabalho arqueológico de Anne Stine Ingstad e seu marido, o explorador Helge Ingstad, há mais de 50 anos, confirmou a existência de um acampamento em L'Anse aux Meadows, no extremo norte da Terra Nova. Especialistas passaram, então, a teorizar que os vikings ergueram ali um acampamento de inverno, para não terem que atravessar o Atlântico Norte de volta à Groenlândia na época das tempestades. Entretanto, o local na Terra Nova teria falhado como colônia, talvez por conflitos com nativos.




"O local está gritando 'Por favor, cave aqui!'", diz a doutora Parcak em entrevista ao New York Times. A professora de antropologia da Universidade do Alabama ganhou um prêmio do TED em 2015 por seu trabalho usando imagens de satélite para comprovar o roubo de sítios arqueológicos no Egito, e usando o fato para fazer um financiamento coletivo para ajudar a busca arqueológica feita do espaço.


Desde então, arqueólogos procuram mais evidências e outros acampamentos. Este ano, um novo método de busca deu resultado. Sarah H. Parcak, uma especialista em uso de imagens de satélite na arqueologia, examinou imagens infravermelhas entre a Groenlândia e Massachusetts, no nordeste dos EUA. Encontrou centenas de locais possíveis, até que reduziu a lista para um alvo muito provável.



Point Rosee, como foi chamado pelos pesquisadores, é um penhasco gramado acima de uma praia rochosa na Terra Nova, quase 500 quilômetros ao sul de L'Anse aux Meadows. As imagens do local mostravam altas quantidades de depósitos de ferro no solo, assim como trincheiras no solo que, quando escavadas, mostraram ser paredes de casas com marcas de cinzas, ferro pré-processado antes de ser usado por ferreiros, e uma grande rocha rachada usando fogo - todos sinais de metalurgia, desconhecida pelos nativos da regão.



Testes de carbono dataram os materiais como sendo da era Nórdica. Os especialistas irão voltar a cavar lá neste verão.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

A Filha de Stalin e sua Conversão à Igreja Católica


Svetlana Alliluyeva aos 9 anos com seu pai Josef Stalin



 Histórias de como igrejas ortodoxas, católicas e protestantes funcionavam na ilegalidade nos países do bloco soviético são famosas: padres sendo presos, torturados e mortos, igrejas implodidas, turistas cometendo o crime de trazer bíblias clandestinamente no bolso interno de seus paletós. Contudo ainda hoje poucos sabem que a filha de Stalin, um dos maiores opressores do cristianismo, se tornou católica aos 56 anos de idade. Seus livros nunca puderam circular livremente na URSS. Ainda nos anos 80 eram copiados à mão e distribuídos secretamente entre estudantes e curiosos.

 Svetlana, filha de Stalin, desde moça já se interessava por religião e espiritualidade. Travou conhecimento de várias crenças, desde o hinduísmo e budismo por ser casada com um indiano até o cristianismo ortodoxo russo e grego, tendo sido batizada na igreja ortodoxa russa. Por conta de sua mudança para a Inglaterra e posteriormente os EUA e íntimo contato com diversos católicos nos seus países de adoção e intenso estudo, acabou por se convencer da superioridade do Catolicismo Romano.

Em seu livro "Livro para meus netos" (Книга для внучек), ela discorre brevemente sobre sua conversão:


 "No ocidente não me senti de forma alguma integrada à Igreja Ortodoxa Russa, por conta de sua fragmentação e pelas eternas discordâncias políticas entre as diversas "jurisdições". Cada igreja do cristianismo oriental era em essência um pequeno clube nacionalista, preservando seu próprio isolamento étnico. Para mim, o cristianismo é uma crença universal que abraça todas as raças e nacionalidades pelo mundo todo. Tal fé é o Catolicismo Romano.

 Viacheslav Ivanov, o grande estudioso e poeta russo, converteu-se ao catolicismo precisamente por esse motivo. Eu compreendi e senti isso a partir do momento que me encontrei com católicos na suíça em 1967. No passado, muitos russos progressistas se convertiam ao catolicismo porque isso os aproximava à civilização do mundo ocidental. Em nossos tempos, o catolicismo não é indiferente aos pobres, doentes e pessoas em condições humilhantes em torno do mundo - enquanto muitas igrejas chamadas cristãs, em especial nos EUA, passaram a servir somente aos poderosos ricos e ao poder desse mundo.

 Por muitos anos cogitei a conversão ao catolicismo, e conversava sobre isso com diversos amigos. E agora na Inglaterra, onde o catolicismo, ainda que minoritário, é tão forte, senti que finalmente eu deveria tomar o passo decisivo. Andrew me apresentou a um Monsenhor incrível que servia na época num seminário de Londres. Conversamos por muito tempo e eu me confessei. "Mas você já está lá!" - repetia Andrew interminadamente. "É difícil aos protestantem tal passo, mas para vocês ortodoxos é essencialmente a mesma coisa". Tornei-me parte da igreja católica no dia 13 de Dezembro de 1982, o dia de Santa Lúcia.

 Necessitava de uma fé capaz de abraçar toda a humanidade, todo o globo terrestre. Uma fé sem orgulho nacionalista, sem patriotismo, sem vitórias de um povo contra outro. Eu reli diversas vezes o "Diário Romano" e outras obras de Vyacheslav Ivanov e outros de seus trabalhos em seu livro "Luz da Noite" e fiquei satisfeita em saber que havia outros que pensavam como eu. Já era uma tradição histórica bem estabelecida. Eu apenas me juntei a ela."


Novamente Svetlana e seu Pai.



Introdução e Tradução: Pedro Rosa